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DESCRIÇÃO

Os vestígios mais antigos dos jardins são atribuídos por tradição a Diogo Álvares Mourão, Arcediago de Labruge e irmão do 3º Morgado, que manda erigir a Casa. Situam-se a nascente e constituem a escadaria no enfiamento do eixo central da construção e latadas contíguas. As plantas referidas, de inventário de finais do século XVIII, referem a saída para os jardins a nascente, e a sul uma área ajardinada e a quinta.

O 3º Conde de Vila Real, a par das melhorias realizadas na Casa, desvia o caminho público, que de norte a sul e à frente da fachada principal atravessava a quinta, e planta em 1871 os cedros que ainda hoje ensombram o edifício e o lago.
Nos anos trinta do século XX a Condessa de Mangualde manda plantar os jardins a sul da Casa com desenho de Gomes de Amorim. Seu filho, o instituidor da Fundação, no conjunto de grandes obras que realiza inclui o espaço exterior que envolve toda a construção alterando definitivamente a sua leitura. Planta o túnel de cedros que cobre a escadaria nascente, enfatizando o eixo de perspectiva longitudinal que caracteriza todo o conjunto, constrói do seu lado norte três tanques com desenho de António Lino, e reformula os jardins de bucho, a sul, com desenho de Paulo Bensliman. No patamar superior cria no limite da geometria de outro jardim de bucho, de ambos os lados do acesso à escadaria, os únicos momentos íntimos e românticos de todo o jardim com dois grandes conjuntos de cameleiras e bancos de estadia.

Com consistente projecto de Gonçalo Ribeiro Teles, nas décadas de cinquenta e sessenta, D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque altera totalmente toda a área que enquadra a fachada principal da Casa. Cria uma nova entrada, que num traço muito conseguido de desenho construído e vegetal concebe a surpresa e o encantamento que constitui a aproximação à Casa, com a vista do alinhamento da sua perspectiva central. O Lago, um espelho de água construído nos anos cinquenta, prolonga de forma perfeita o conjunto edificado, que nele se reflecte reproduzindo a imagem da fachada principal, e envolvido por uma mata de castanheiros e carvalhos plantada nos anos sessenta, ao reflectir a Casa coloca-a no meio da vegetação.

A escultura de João Cutileiro, que desde 1981 dorme no Lago, integrou já a imagem da Casa.

Teresa Nunes da Ponte

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