Carlos Antunes e Otelo Lapa
31 de Janeiro e 1 de Fevereiro de 2020 | Fundação da Casa de Mateus

Um ato de comunicação. Foi assim que começou a Oficina de Produção e Direção de Cena com Carlos Antunes e Otelo Lapa. A Residência de Artistas da Casa de Mateus foi o local escolhido para este encontro inserido no projeto Lugar Comum. E da partilha de experiências, de um grupo constituído por funcionários da Casa mas também de representantes de instituições culturais e artísticas – Conservatório Regional de Vila Real; Banda de Mateus; Banda Sinfónica Transmontana –  e comunidade em geral, se fez um lugar comum. Carlos Antunes, que, entre muitas outras coisas, colabora regularmente com o Teatro de São Carlos e é responsável pela programação do festival Música a Norte, musicólogo e produtor, começou por fazer uma contextualização do ambiente que antecede um espetáculo. “É um ato de comunicação”, disse. “A forma como o interprete entra em palco, como olha para o público, como respira, como anda…”. Falou-se de ópera, dos diferentes tipos de complexidade que pode ter, de concertos, de épocas, de instrumentos, de música, teatro. Falou-se de arte como ponto de partida para um lugar comum. Otelo Lapa, Diretor de Cena da Fundação Gulbenkian, deu a conhecer as dezenas de funções que existem para que no palco, para o espectador, tudo pareça fácil. Um momento único para aprender, como referiu a mais jovem participante no encontro, Helena Liberato, de 17 anos, estudante de música, flautista: “Esta é uma oportunidade única, aqui no norte, tão importante de ter pessoas com tantos conhecimentos, seria um bocado mau não aproveitar estas oportunidades. É essencial conhecer o mundo do espetáculo. Sou e quero ser música, mas conhecer o que está à volta do mundo das artes é fundamental, o ambiente, e todo o trabalho que exige. A partilha destas experiências são fantásticas”.

As experiências passaram da teoria à prática, no segundo dia, com a possibilidade da criação hipotética de um festival de música na Casa de Mateus. E, até para quem trabalha na Fundação da Casa de Mateus, como é ocaso de João Neto, historiador, olhar os espaços com esse objetivo, é uma forma diferente de ver o que já tão bem conhece. E assim, património adentro, o grupo foi procurando e descobrindo espaços interiores e exteriores que melhor se adaptassem aos ambientes musicais pretendidos. “O espetáculo faz-se para o espaço ou é o espaço que condiciona o espetáculo? Esta é uma discussão antiga. Eu acho que acaba por ser as duas coisas, que devemos ter sempre atenção que há coisas que não funcionam num espaço e outras que o espaço pede que se faça lá qualquer coisa”, referiu Otelo Lapa. No caso de Mateus, a ligação com a arquitetura é fundamental: “ Eu acho que este espaço, este Palácio, estes jardins, merecem ter uma programação cuidada e muito pensada no património e na arquitetura da Casa. Ter mais um festival, num sítio qualquer é indiferente. Aqui não. Aqui tem que ser realmente uma coisa amada, cuidada, acarinhada, até porque eu acho que o público reage quando nós fazemos coisas especiais em espaços especiais. E este é um sítio especial, um Palácio do séc. XVIII, um dos poucos que existem em Portugal com a família a viver, e essa mensagem passa… é muito interessante, porque não é um prédio, não é uma casa sem alma, há ainda um proposito da família que continua no século XXI que é o de servir a comunidade”.

E que melhor forma de criar um lugar comum senão através das artes?

O projeto Lugar Comum tem como objetivo o desenvolvimento do capital humano da Fundação da Casa de Mateus através de uma visão integrada do seu papel, valores e oportunidades, e através do empoderamento das suas equipas através da aquisição de novos conhecimentos e metodologias, permitindo-lhes enfrentar as exigências da gestão contemporânea e os desafios de agilidade, qualidade e transparência que caracterizam uma organização do séc. XXI.

 

Apresentações do dia 31/01/2020: Apresentação 1Apresentação 2Apresentação 3