Com Armonía Concertada, duo de vihuela e canto, María Cristina Kiehr regressa, na companhia de Ariel Abramovich, ao reportório do Renascimento, o responsável pelo seu despertar para a chamada «Música Antiga». Imaginario é o primeiro registo do que ambos esperam ser o início de um frutuoso caminho.

A afinidade da artista com a polifonia, em particular, e com o Humanismo e a sua influência na arte, em geral, traduziu-se em inúmeros concertos e gravações com o seu quarteto vocal La Colombina, bem como, anteriormente, com o Daedalus Ensemble (Roberto Festa).

O encontro com o cravista Jean-Marc Aymes, com quem criou, em 1993, o Concerto Soave, proporcionou-lhe o seu maior crescimento enquanto solista. Com as gravações para as editoras discográficas L’Empreinte Digitale e Harmonia Mundi France dedicadas aos compositores do século XVII Giovanni Felice Sances, Barbara Strozzi, Claudio Monteverdi, Alessandro Scarlatti e Sigismondo d’India, por exemplo, ficou selada uma trajectória conjunta que perdura até aos dias de hoje.

María Cristina Kiehr teve ainda a honra de ser convidada para colaborar com grandes maestros, agora considerados pioneiros na Música Antiga, entre os quais se destacam René Jacobs (também seu professor na Schola Cantorum Basiliensis), Jordi Savall, Frans Brüggen, Philippe Herreweghe, Gustav Leonhardt e Nikolaus Harnoncourt. O seu notável percurso artístico teve a felicidade de contar com artistas, orquestras e ensembles como Chiara Banchini e o seu Ensemble 415, Christophe Coin, Jean Tubéry, com La Fenice, a Akademie für Alte Musik Berlin, Gabriel Garrido, com o Ensemble Elyma, o Concerto Köln, a Freiburger Barockorchester, a Wiener Philharmoniker, o Concentus Musicus Wien, o Coro e a Orquestra Gulbenkian, o Nederlands Kamerkoor, a BOG Basel, a Australian Brandenburg Orchestra, a Helsingin Barokkiorkesteri (Orquestra Barroca de Helsínquia), a Oslo kammerorkester (Orquestra de Câmara de Oslo), a Die Deutsche Kammerphilharmonie Bremen, a ORCAM Madrid, o alaudista Karl-Ernst Schröder, os pianistas Gérard Wyss e José Gallardo, Amandine Beyer, com Gli Incogniti, o guitarrista Pablo Márquez, entre muitos outros.

Especializada nos reportórios do Barroco e do Renascimento, María Cristina Kiehr manteve sempre um carácter curioso e receptivo. Assim, tem participado em muitos projectos de criação e inovação em diversos estilos, de que são exemplo obras como Passion selon Marie, de Zad Moultaka (1967), e 4 Danske Sange, de Silvan Loher (1986).

A sua estreia na ópera dá-se com Giasone, de Cavalli, no Tiroler Landestheater Innsbruck, sob a direcção de René Jacobs. Seguidamente, participou nas encenações e nas produções discográficas de L’Orfeo, L’Incoronazione di Poppea, Il ritorno d’Ulisse in Patria (de Monteverdi), L’Orontea (de Cesti), Orpheus (de Telemann), Venus and Adonis (de John Blow), Dido and Aeneas (de Henry Purcell), La Guerra d’Amore, Orfeo ed Euridice (de C. W. Gluck) e na versão cénica das Vespro della Beata Vergine (de Claudio Monteverdi). De referir ainda La Dafne (de Marco da Gagliano), La virtù dei strali d’Amore (de Francesco Cavalli), Giulio Cesare in Egitto (de Antonio Sartorio), Orlando paladino (de Joseph Haydn), entre outras.

Da América do Sul ao Japão, passando pela Austrália, os Estados Unidos, o Canadá e a quase totalidade do continente europeu, María Cristina Kiehr foi acolhida pelos melhores públicos nas mais belas salas e teatros, como a Musikverein, em Viena, o Concertgebouw, em Amesterdão, as Filarmónicas de Berlim e de Colónia, a Konzerthaus e a Staatsoper Unter den Linden, em Berlim, o Mozarteum, em Salzburgo, o auditório da Accademia Nazionale di Santa Cecilia, em Roma, o Théâtre des Champs-Elysées, em Paris, o Palais des Beaux-Arts e o Théatre de La Monnaie, em Bruxelas, o Teatro Real de Madrid, o Kursaal, em San Sebastián, o Auditorium Stravinski, em Montreux, a Ópera de Sydney, o Suntory Hall, em Tóquio, o Barbican Hall, em Londres, e o Teatro Colón, em Buenos Aires.

María Cristina Kiehr partiu de Tandil, na Argentina, onde a ditadura militar e o terrorismo de estado eram a realidade, rumo à Europa, com somente um violino às costas. Por esse motivo, é sempre com grande satisfação que agarra a oportunidade de, em aulas e master classes, como as integradas nos Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus, transmitir a experiência que adquiriu ao longo de muitos anos de pesquisa, estudo e prática.

María Cristina Kiehr é responsável pelo Master de Prática de Interpretação Histórica (Canto), na Universidade de Música e Artes Cénicas de Viena.

Dentre os seus mais de oitenta registos fonográficos, destacam-se as três versões das Vespro della Beata Vergine, de Claudio Monteverdi, a oratória Maddalena ai piedi di Cristo, de Antonio Caldara, no papel protagonista (premiada com o Baroque Vocal Gramophone Classical Music Award) e a Paixão segundo São Mateus, de J. S. Bach, com Frans Brüggen e a Orquestra do Século XVIII.