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HISTÓRIA
A Casa de Mateus foi edificada durante a primeira metade
do século XVIII por António José Botelho
Mourão (1688-1746), 3º Morgado de Mateus. A capela
foi terminada pelo seu filho: D. Luís António
de Sousa Botelho Mourão (1722-1798).
A
Casa de Mateus é uma edificação barroca de
planta rectangular, estruturada em dois corpos laterais,
implantados no sentido noroeste/sudeste, e ligadas entre si,
ao nível das fachadas posterior e principal, por duas alas
que lhe são perpendiculares, conferindo ao conjunto uma
grandiosidade e beleza de raro efeito plástico e arquitectónico.
“Planta
composta em U, volumes articulados com coberturas
diferenciadas em telhado de quatro águas. Com dois pisos é
intersectado ao meio por um corpo, destinado ao hall nobre de
entrada, donde origina um pátio interior de planta quadrada e
um outro pátio de entrada também em U, onde se desenvolve
uma sumptuosa escadaria dupla. A fechar o pátio de entrada,
um murete, suporte de uma balaustrada onde apoiam seis pináculos
de granito. A fachada principal orientada a O., apresenta as
extremidades das alas do U, empregando sobre as aberturas do 1º
piso frontões triangulares simples, como os que percorrem as
extensas fachadas laterais. No interior do pátio de entrada e
a contrastar com esta linguagem seca, os vãos do mesmo piso
possuem frontões ondulados e interrompidos. A encimar a
frontaria onde se adossa a escadaria de entrada e ao centro
uma pedra de armas. Sobre os telhados, assentes em cornijas de
granito, nos cunhais e ângulos apoiam-se altos pináculos.
Também no pátio interior desenvolvem-se duas escadarias
duplas em fachadas opostas. Através do arco localizado
debaixo do patamar de acesso ao andar nobre da escadaria do pátio
de entrada estabelece-se ligação entre estes dois pátios. A
relaciona-los uma sala a toda a extensão para a paragem das
carruagens puxadas por cavalos. Após a passagem deste espaço
e alinhados pelo arco já referido um outro na extremidade da
fachada nascente conduz ao jardim. A capela junto à fachada
lateral N. é de planta rectangular, dividida em três espaços,
correspondendo às extremidades a capela-mor e ao sub-coro. O
espaço intermédio possui um tecto em cúpula, encimado por
um lanternim. O coro está apoiado num arco abatido. O arco
cruzeiro que antecede a capela-mor, com um tecto em abóbada
de berço apoia-se em colunas jónicas. A fachada principal da
Capela orientada a O. apresenta um portal simples ladeado por
quatro colunas onde assenta um arco de volta perfeita que
envolve uma pedra de armas. Sobre este arco uma cartela com a
data inscrita da fundação. A encimar este conjunto, duas
volutas interrompidas.”
IPA – Nº. 1714150004, Descrição, http://www.monumentos.pt.
A
ala anterior é recuada, e dotada de uma dupla escadaria, que
permite o acesso desafogado ao primeiro piso, antecedida de um
pátio de generosas dimensões e que, com os corpos laterais
mais avançados, formatam a fachada principal do edifício.
A
ala posterior fecha um outro pátio interior, de menores
dimensões, aberto, e remata a fachada a sudeste, que abre
para os jardins da Casa e fachada lateral da Capela.
É
de admitir a possibilidade de intervenção de Nicolau Nasoni
nesta edificação, pelo menos na secção central do palácio
(fachada poente), conforme defende Vasco Graça Moura, no seu
livro “Figuras em
Mateus” (pp. 18-28), com base nos estudos de Robert
Smith sobre este arquitecto toscano, a que acrescenta uma bem
estruturada fundamentação técnica e artística em abono
desta teoria, remetendo para o período que medeia entre 1739
e 1743, a elaboração do “risco” e respectiva execução
da secção referida.
Esta
forte probabilidade de Nicolau Nasoni ter intervido, senão na
totalidade, ao menos em parte do edifício, confere-lhe um
valor acrescido ao, já de si, importante (e imponente) palácio,
quer pelas generosas dimensões que ostenta, quer pela forma
como foi concebido nas suas relações espaciais e funcionais.
O
conjunto é ainda complementado com a Capela da Casa, situada
a nordeste da mesma, de natureza estilística algo
diferenciada do corpo principal do palácio, mas nem por isso
menos exuberante nos pormenores decorativos, e igualmente
marcante pela altura que patenteia e pela volumetria que lhe
está associada, conferindo um equilíbrio notável à
totalidade da edificação.
Os
diversos anexos existentes no espaço da cerca, com realce
para o edifício da “Nova Adega”, uma construção que
data, originariamente, do séc. XVI, situada nas proximidades
da capela, em frente à fachada norte do edifício principal;
o denominado “Barrão”, localizado em zona mais distante
da Casa, certamente celeiro e espaço de “arrumos” da eira
que se estende à sua frente; e ainda os magníficos jardins
que rodeiam o edifício principal, completam toda esta
estrutura edificada, conferindo-lhe características muito próprias
e permitindo possibilidades de “tratamento” museológico
excepcional, pela funcionalidade e capacidade de adaptação
de cada espaço considerado às novas funções que se
pretendem introduzir no circuito expositivo da Casa.
Agostinho
Ribeiro - Conservador Museólogo
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