Cristóvão Álvares (f. c. 1619)

D. Maria Gonçalves (f. dp. 1625/01/01)

Cristóvão Álvares casou com D. Maria Gonçalves , filha de Pedro Gonçalves Chavelha, na Igreja de S. Domingos de Vila Real a 2 de Junho de 1577. Os documentos mais antigos existentes no Arquivo da Casa datam de 1577 e fazem referência a este casal, primeiros moradores no espaço desta Casa de Mateus. Os seus bens constituíram o núcleo que, mais tarde, foi vinculado por seu filho, o Licenciado António Álvares Coelho.

Cristóvão Álvares fez testamento com sua mulher, em 25 de Fevereiro de 1619, instituindo por herdeiro seu filho, o Licenciado António Álvares Coelho nomeando-o no prazo das Valinhas, no casal do Arcebispo, e no de Gonçalo Teixeira e lhe deixa Ribas e o casal da Lage.

Após a morte de seu marido, em 1619, administrou com seu filho o Licenciado António Álvares Coelho os bens que viriam a constituir o Morgadio de Mateus.


Licenciado António Álvares Coelho (f. dp. 1647/07/28)
D. Helena Álvares Mourão (f. c. 1665)

Embora não possamos apontar com exactidão a data de casamento do Licenciado António Álvares Coelho com D. Helena Álvares Mourão, filha de Diogo Álvares Mourão e Maria Martins de Azevedo, instituidores do Morgadio da Cumieira, sabemos que no ano de 1603 já estavam casados.

O Licenciado António Álvares Coelho, filho de Cristóvão Álvares e de D. Maria Gonçalves, instituiu com sua mulher, em 5 de Dezembro de 1641, o vínculo da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, em São Martinho de Mateus. Os bens vinculados à capela incluíam a primitiva Casa de Mateus, constituída pelas (…) casas em que vivem com seus palheiros, estrebarias e cortes, com as traseiras que he hum quintal que tem vinha, horta e pomar (…).

Este casal fez testamento de mão comum, em 31 de Dezembro de 1643, deixando as duas filhas por herdeiras, D. Maria Coelho e D. Isabel Coelho. Deixaram os seus terços à filha mais velha, D. Maria Coelho, vinculados à sua capela de N.ª Sr.ª dos Prazeres, com obrigação de que seus sucessores lhe repairem os seus bens para que vão em crescimento e que tudo o que acrescentarem seja consolidado e junto a este vinculo. E que todos os sucessores sejam leais à coroa, católicos e livres de raça e seculares e os deserda fazendo o contrário. E que se apelidem Álvares para que fique perpétua memória da Casa onde vivem.

Mais tarde, em 21 de Outubro de 1665, D. Helena Álvares Mourão, confirmando a vontade de seu marido, fez testamento instituindo por herdeira sua filha D. Maria Coelho. Nomeia esta sua filha em seus prazos e capelas, afirmando que fizera vínculo com seu marido. Entre outras cláusulas, constava a de que o administrador se chamasse Álvares; seria sempre(…) pessoa discreta e bem governada(…) que a sua terça e a de seu marido teriam de andar sempre vinculadas em morgado; e que as deixava a sua filha D. Maria Coelho e a seu sobrinho o Dr. Matias Álvares Mourão de Aguiar, para que o último que ficasse pudesse nomear em quem melhor lhe parecesse da família dos Álvares com a condição de que se chamasse Mourão ainda que deles não fosse. As ditas cláusulas seriam revogadas enquanto pudessem ocasionar demandas.

D. Maria Coelho, a Velha (f. 1696/07/23)

Doutor Matias Álvares Mourão de Aguiar (f. 1675/05/19)

D. Maria Coelho e o Doutor Matias Álvares Mourão de Aguiar foram os primeiros administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres em Mateus e também os segundos administradores da Capela de Nossa Senhora da Esperança na Cumieira.

É neste casal que converge uma estratégia de concentração patrimonial, tendo o Morgadio de Mateus sido consolidado através de doações e heranças que se verificam durante a sua administração. D. Maria Coelho tinha recebido o dote de D. Leonor de Sampaio em 1646, para casar com seu primo o Desembargador Matias Álvares Mourão de Aguiar. Entretanto, este casal tinha também sido contemplado no testamento de 29 de Julho de 1643 pelo irmão de D. Helena Mourão, o Dr. António Álvares Mourão, Provisor, Vigário Geral e Governador do Bispado de Leiria que lhes deixou a Quinta da Torre, foreira ao Bailio de Leça.

Mais tarde, em 1665, sua mãe, D. Helena Mourão fez testamento, instituindo por herdeiros D. Maria Coelho e o marido, tornando-os assim administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, cabeça do Morgadio de Mateus e do Morgadio da Cumieira.

A este património acrescentou-se a herança da irmã de D. Maria Coelho, a D. Isabel Coelho, viúva do Dr. Diogo Álvares Mourão, herdeiros da Casa de Lago Bom, Vila Pouca de Aguiar e Bornes, a qual fez testamento quando entrou para o Convento de Celas, onde professou, tendo sido aprovado a 9 de Setembro de 1663.

O Desembargador Matias Álvares Mourão de Aguiar dispôs no seu testamento que o seu corpo fosse sepultado na sua Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, em Mateus, mandou que se vendesse a sua livraria e que o dinheiro fosse para missas perpétuas a dizer na sua Capela que fez em Coimbra no Convento dos Carmelitas descalços e instituiu por herdeira universal sua mulher, D. Maria Coelho, a Velha. À morte desta, os seus bens deveriam ficar em cabeça de morgado para o filho de Domingos Botelho Ribeiro Álvares de Sabrosa, seu primo, devendo este descendente casar com uma filha do Dr. Cristóvão Álvares Coelho, instituidor do Morgado de Arroios. Faleceu a 19 de Maio de 1675.

D. Maria Coelho cumpriu a vontade de seus antecessores, a qual ficou expressa nos seus dois testamentos, um de 2 de Fevereiro de 1676 e outro de 12 de Julho de 1691, instituindo com seus bens um vínculo de Morgadio anexado à Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, e para que andem juntos com [os bens] que vinculou seu marido como se foram de um só instituidor.

Fez ainda vínculo dos bens livres e móveis de ouro e prata que deixou em rol assinado, mandando que não se nomeasse bastardo se faltassem descendentes, nem clérigo, nem criminoso de confiscação, entre outras condições. Deixou, bem claro que enquanto os dois vínculos das Casas de Mateus e Cumieira andassem juntos se chamariam dos apelidos de Álvares, Coelho, Mourão, vontade reforçada em seu segundo testamento, ordenando que (…) enquanto estes dois vínculos, a saber o desta Casa de Mateus e o da Casa da Cumieira, andarem juntos em um só possuidor e ele se chamar dos apelidos Alvares Coelho Mourão, e andando separados por falta de descendentes de meus herdeiros se chamará o possuidor do Vinculo desta Casa dos apelidos Alvares Coelho e do da Cumieira Alvares Mourão.

D. Maria Coelho, já depois da morte do marido, teve ainda o cuidado de que se fizesse tombo das suas propriedades por alvará régio de 30 de Julho de 1685, administrando a Casa de Mateus durante mais 21 anos. Chamou à administração da Casa de Mateus seu primo da Casa de Sabrosa, Domingos Botelho Ribeiro Álvares, descendente dos Botelho Alcaides Mor de Vila Real. Tendo este falecido antes dela, D. Maria Coelho institui por seu universal herdeiro Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata, filho de Domingos Botelho Ribeiro Álvares e de D. Joana Mourão, casado com D. Maria Coelho de Barros e Faria, filha do Dr. Cristóvão Álvares Coelho e de D. Brites de Barros e Faria, instituidores da Casa de Arroios.

Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata (n. 1669/05/28 – f. dp. 1730)
D. Maria Coelho de Barros e Faria (n. 1670 – f. dp. 1730)

Cumprindo a vontade de D. Maria Coelho, a Velha, Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata, filho de Domingos Botelho Álvares Ribeiro e de sua mulher D. Joana Mourão, casou com D. Maria Coelho de Barros e Faria, filha do Dr. Cristóvão Álvares Coelho e D. Brites de Barros e Faria, Morgados de Arroios. Embora não seja conhecida a data deste casamento sabemos que eram ambos de tenra idade, porque ele não passava de catorze e a senhora de treze. Em 1688 recebeu mercê de D. Pedro II de 12 mil reis de tença por estar casado com uma filha do Dr. Cristóvão Álvares
Coelho de Arroios.

Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata tomou posse das terras pertencentes à Casa da Cumieira, que herdou por morte de D. Maria Coelho, a Velha, em 23 de Setembro de 1696.

Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata e D. Maria Coelho de Barros e Faria foram 2os Morgados de Mateus, administradores dos vínculos da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres de Mateus e da Capela Nossa Senhora da Esperança da Cumieira. Administraram outros bens e prazos, nomeadamente, em Sabrosa, Vila Pouca, Lago Bom e Bornes.

Em 1708, o Capitão Diogo Pereira de Aguiar fez testamento nomeando sua mulher, D. Catarina de Figueiredo, herdeira universal e por morte desta, nomeou seu sobrinho para lhe suceder nos bens e prazos. D. Catarina de Figueiredo fez doação dos seus bens e de seu marido a Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata, procedendo mais tarde do mesmo modo com o filho deste, António José Botelho Mourão.

Matias Alvares Mourão, Morgado da Prata foi ainda herdeiro de seu primo João Coelho de Figueiredo, que por testamento de 5 de Novembro de 1719, em Mateus, o nomeou por herdeiro e testamenteiro. Entre os bens que lhe deixou em Mateus contava-se a quinta de Urros, que o Morgado da Prata, num acto de loucura terá vendido ao Abade por 1: 000$000 rs.

De acordo com a notícia histórica deixada por D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, a Casa perdeu muito durante a administração deste casal (…) eles empenharam-se sem proveito. A bondade de um e parco assento de sua mulher foram a causa da desordem (…).

Deste modo, em 1720, como possuidor da Quinta de Mateus e mais pertenças desta, Matias Alvares Mourão deu a seu filho António José Botelho Mourão, que viria a ser seu sucessor, a Quinta da Cumieira e pertenças, a Quinta de Lago Bom e foros de Vila Pouca de Aguiar, com a condição de casar com a Senhora Dona [Joana] Maria de Queirós e Mascarenhas e Sousa.

Fez testamento a 20 de Julho de 1728 na Cumieira, deixando por herdeiro e sucessor no Morgadio o seu filho, encarregando-o de observar tudo o que estipulara a instituidora D. Maria Coelho. Foi sepultado na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres em Mateus.

Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata, deixou ainda uma filha, D. Ana Maria dos Prazeres, Religiosa no Convento de Santa Clara, tal como consta da escritura de obrigação de bens em 1723.

António José Botelho Mourão (n. 1688/08/05 – f. 1746/02/20)
D. Joana Maria de Sousa Mascarenhas e Queirós (b. 1695/04/16 – f. 1723/04/05)

António José Botelho Mourão casou com D. Joana Maria de Sousa Mascarenhas e Queirós em 8 de Fevereiro de 1721 na Igreja de São Veríssimo de Amarante. Foram terceiros Morgados da Casa de Mateus.

António José Botelho Mourão foi herdeiro de seu pai, Matias Álvares Mourão, o Morgado da Prata, e de sua mulher D. Joana Maria de Sousa Mascarenhas e Queirós, que morreu em 1723. Foi com este casamento que o Morgado dos Moroleiros, bem como outros bens anexos, vínculos e privilégios, vieram à Casa de Mateus, assim como se operou uma efectiva ascensão nobiliárquica simbolizada pelo uso das armas dos Sousa (ramo dos Sousa do Prado) e pela aposição do Dom antes do nome próprio que será regra de uso a partir de então.

Em 5 de Julho de 1723, foi passada a António José Botelho Mourão sentença de justificação provando que ele, por intermédio de sua mulher, era o único herdeiro de seu sogro D. Luís António de Sousa e, consequentemente, de seu cunhado D. António Luís de Sousa. Deste modo ficou o Morgadio de Mateus em posse do Morgadio de Moroleiros e, com este, bens e fazendas do Algarve.

Foi este Morgado que iniciou a construção do actual Palácio de Mateus (…) Esta grande casa e a capela, até as colunas, são obra dele assim como a grandeza da quinta e jardins e as escadas e paredões que a ornam (…). A conclusão da obra foi levada a cabo por seu filho D. Luís António de Sousa Botelho Mourão.

Nesta geração, cinco dos irmãos de António José Botelho Mourão, abraçaram a vida eclesiástica, exercendo vários cargos e marcando de forma particular a história da casa e da família.

D. Luís António de Sousa Botelho Mourão (n. 1722/02/21 – f. 1798/10/03)
D. Leonor Ana Luísa José de Portugal (n. 1722 – f. c. 1806)

Em 24 de Setembro de 1754 D. Maria Antónia São Boaventura e Meneses, viúva de Rodrigo Sousa Coutinho, e D. António Luís Caetano de Sousa, 4º Marquês das Minas, efectuaram o contrato de casamento entre D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e D. Leonor Ana Luísa José de Portugal. Este casamento ter-se-á realizado em 1755.

Foram quartos Morgados da Casa de Mateus, administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, cabeça do Morgadio, e da Capela de Nossa Senhora da Esperança, na Cumieira, assim como de vários prazos enfitêuticos, dos bens da Casa de Sabrosa e dos de Vila Pouca, Lago Bom e Bornes. Foram ainda administradores dos Morgadios de Moroleiros e dos Queirós em Amarante e de outros bens, vínculos e privilégios que herdaram do avô D. Luís António de Sousa e de sua mulher D. Bárbara Mascarenhas.

A todos esses bens acrescentaram por demandas outros, como foi o caso do Morgadio de Arroios, de seus primos Álvares Coelho de Faria e o de Fontelas, da família Mendes de Vasconcelos, cuja falta de sucessão justificou reivindicação levada a cabo por D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e seu filho, sendo o apelido Vasconcelos desde então usado por seus descendentes.

D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, além dos dois grandes vínculos feitos em 1752 e 1754, fez vínculo dos bens e propriedades reduzindo a um só todos os bens da Casa. Não só segurou seus bens e propriedades, com as renovações e vinculações referidas, como iniciou a organização dos seus documentos, encontrando-se muitas capilhas manuscritas pelo próprio. Os documentos reflectem o rigor com que D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e sua mulher conduziam os negócios da Casa, tendo sido a sua organização continuada por seu filho D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos. Este escreveu mais tarde que sua mãe, na ausência do pai que estava no Brasil, (…) teve aqui hum homem para o archivo que principiou a ordenar (…).

Na verdade, a administração de D. Leonor, enquanto seu marido esteve no Brasil, foi, segundo seu filho D. José Maria do Carmo, (…) a melhor administração que teve a Casa. Extinguiu ela todas as dívidas que meu pai deixara, que montavam a 30$ cruzados, e com o seu juízo viu que valia mais aumentar as fazendas existentes do que comprar novas deixando tudo por cultivar (…). A Capela acabada, já a pôs no maior asseio e culto; reformou e mobilou as casas, conseguiu juiz privativo para o tombo dela (…).

Em 1772, quando saiu a Lei das confirmações dos Morgados, pediu que lhe enviassem para Lisboa as instituições da Casa para serem confirmadas. Tendo a bolsa que continha os títulos sido roubada viu-se obrigada a obter confirmações de todos os bens pertencentes a Casa de Mateus. Deste modo veio a ser esta calamidade a origem de um grande bem. Nas cartas que escrevia a seu marido, D. Leonor dava conta de todas as suas acções relativamente à administração da Casa.

Várias razões são apontadas para o regresso de D. Luís a Portugal. D. Luís António regressou do Brasil desgostoso, após onze anos de serviço, recolhendo-se a Mateus, onde se deixou envenenar pela sua filha bastarda D. Teresa de Jesus Maciel, que foi protagonista de intrigas e roubos.

D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (n. 1758/03/09 – f. 1825/06/01)
D. Maria Teresa Soares de Noronha (n. 1760 – f. 1785/06/14)
D. Adélaïde Marie Emilie Filleul, Condessa de Flahaut (pelo 1º casamento) e Madame de Sousa (pelo2º casamento) (n. 1761/05/14 – f. 1836/04/19)

D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, conhecido como Morgado de Mateus, nasceu no Porto a 9 de Março de 1758 e faleceu em Paris em 1 de Junho de 1825. Foi herdeiro do Morgadio de Mateus, bem como os Morgadios da Cumieira, de Moroleiros, de Arroios e de Fontelas.

Viveu no estrangeiro a maior parte da sua vida, tendo ocupado diversos cargos diplomáticos em vários países, entre os quais Suécia, Dinamarca, França, Rússia (…)

Casou em 1783 com D. Maria Teresa Soares de Noronha, em Lisboa, no dia 23 de Novembro. Dois anos depois nasce seu filho D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos. Em Junho desse mesmo ano a sua esposa morre, ficando a educação de seu filho a cargo de sua mãe D. Leonor de Portugal.

Por morte de seu pai em 1799 regressou a Portugal, para tratar de assuntos familiares, ocupando-se da organização do arquivo da Casa: reuniu em Gavetas a documentação da administração da Casa mais antiga e importante, tarefa já iniciada por seu pai que, no esforço de proteger o património herdado, tivera a preocupação de fazer vinculação de bens, renovação de prazos e demandas pela posse de vários vínculos, introduzindo um princípio de ordem, que D. José Maria continuou ainda em vida de D. Leonor de Portugal, e deixando instruções a seu filho para a administração da Casa: ” Eis aqui o motivo de fazer-te este papel o qual principia por uma genealogia da nossa família e por mostrar-te o que a Casa adquiriu (…) Daqui viras a conhece-la no seu estado e nos direitos, estes são os fins porque este estudo genealógico é útil ao administrador da Casa (…)” .

Deixou a administração da Casa de Mateus a cargo de sua mãe, D. Leonor de Portugal, e depois da morte desta, a cargo de vários procuradores da sua confiança.

Casou novamente em Paris no dia 17 de Outubro de 1802 com D. Adélaïde Marie Emilie Filleul, Condessa de Flahaut.

Para além de ter prosseguido com a sua actividade diplomática, o Morgado de Mateus, também dedicou os últimos anos da sua vida à publicação da célebre edição ilustrada dos Lusíadas. Esta obra monumental envolveu um grande trabalho literário, onde se destacam as espectaculares gravuras da autoria de Gérard, de Fragonard e Desenne, gravuras que divido ao seu primor artístico só foram terminadas em 1816. Todo este trabalho de preparação da edição dos Lusíadas levou quatro anos, mais dezassete meses para a impressão da edição.

D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 1º Conde de Vila Real (n. 1785/02/09 – f. 1855/09/26)
D. Teresa Frederica Cristina de Sousa Holstein, 1ª Condessa de Vila Real (n. 1786/11/19 – f. 1841/11/29)

Foram senhores da Casa de Mateus e das Capelas de Nossa Senhora dos Prazeres, em Mateus e da Capela de Nossa Senhora da Esperança, na Cumieira, bem como dos Morgadios de Moroleiros, Arroios e Fontelas e de vários prazos, honras e privilégios.

O Príncipe Regente D. João concedeu em Junho de 1811 alvará de licença para que se efectuasse o casamento de D. José Luís de Sousa Botelho Mourão, 1º Conde de Vila Real com D. Teresa de Sousa Holstein, filha de D. Alexandre de Sousa Holstein e de D. Isabel de Sousa Coutinho, tendo-se efectuado o casamento a 27 de Agosto de 1811 em Madrid.

Desta união nasceram cinco filhos: Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, Pedro de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, Maria Teresa de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, Isabel de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos e Mariana de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos. Conservam-se no Arquivo da Casa de Mateus cartas que os filhos de D. José Luís enviavam ao pai, essencialmente quando este desempenhava funções diplomáticas no estrangeiro.

Além dos cinco filhos que teve de sua mulher, é possível que D. José Luís tenha tido uma filha ilegítima que optou pela vida religiosa, Soror Mariana do Sacramento. No Arquivo da Casa de Mateus conserva-se uma carta que esta lhe terá endereçado para Madrid, além de diversos recibos de pagamento de uma mesada que recebia.

Apesar de ter passado pouco tempo em Mateus teve o cuidado de não descurar a administração da Casa. A ordem em que andava a casa é visível nos livros de contas com os caseiros, livros de cobrança de foros e livros de entrada e saída de todos os géneros que se conservam no Arquivo da Casa de Mateus. Podemos tomar como exemplo os recibos de pagamento da Contribuição Literária, pagos no seu tempo, que nos permitem ter uma noção da produção de vinho e aguardente da Casa e da sua organização administrativa.

Em 1823 D. José Luís foi agraciado com o título de Conde de Vila Real , concedendo-lhe, mais tarde, D. João VI cento e dois mil oitocentos e sessenta e quatro reis de assentamento com o referido título.

Em 31 de Julho de 1828, na qualidade de Brigadeiro dos Reais Exércitos, requereu licença para se ausentar do serviço a fim de se deslocar a Paris para concluir negócios particulares pendentes pela morte de seu pai, D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos.

Em 1846, tal como seu pai fizera, escreveu a seu filho D. Fernando instruções que deveria seguir para a administração da Casa. Entrega a seu filho a administração da Casa, por procuração, recomendando-lhe todo o cuidado com as chapas das estampas de Camões e mais livros, bem como com o Cartório da Casa, com particular atenção para a sua biblioteca: (…) cuidado nos livros e estampas, e a observação pontual da pratica por mim estabelecida de não tirar nenhum livro da livraria sem que se ponha no seu lugar um papel (…). A riqueza da Biblioteca naquele tempo é comprovada pela relação de livros mandada fazer por seu filho D. Fernando, 2º Conde de Vila Real após a morte de seu pai.

D. Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos 2º Conde de Vila Real (n. 1815/10/05- f. 1858/02/04)
D. Maria Amália Burchardt (n. 1820/09/22- f. 1839/10/13)
D. Júlia Adelaide Braamcamp de Almeida Castelo Branco (n. 1822/07/26 – f. 1878/10/28)

D. Fernando de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, filho primogénito dos 1os Condes de Vila Real, nasceu em Madrid no dia 5 de Outubro de 1815 e faleceu a 4 de Fevereiro de 1858.

O título de Conde de Vila Real foi-lhe renovado com a promulgação do decreto autorizado por Sua Magestade D. Maria II em 19 de Agosto de 1846.

Por vontade de seu pai, e por este se encontrar ausente por motivos profissionais, desde cedo D. Fernando assumiu a administração da Casa de Mateus, procedendo à continuação da organização da documentação relativa à administração, a que chamavam o Cartório, como se pode constatar num documento que se conserva no arquivo da Casa de Mateus relativo às instruções deixadas pelo 1º Conde de Vila Real a seu filho. Após a morte de seu pai sucedeu à Casa e Morgadio de Mateus e Cumieira, e de todos os mais bens.

Casou com D. Maria Amália Burchardt no dia 15 de Outubro de 1838 de quem não teve filhos, esta acabou por falecer no dia 13 de Outubro de 1839.

Casou novamente com D. Júlia Adelaide Braamcamp de Almeida Castelo Branco no dia 6 de Julho de 1842. Desta união nasceram sete filhos: José Luís de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Inácia de Sousa Botelho e Vasconcelos, Isabel de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Amália de Sousa Botelho e Vasconcelos, Anselmo de Sousa Botelho e Vasconcelos, Maria Teresa de Sousa Botelho e Vasconcelos e Alexandre de Sousa Botelho e Vasconcelos.

D. Júlia Adelaide Braamcamp, na ausência de seu marido e depois deste falecer, assumiu a responsabilidade da administração da Casa de Mateus juntamente com o administrador Frias de Vasconcelos.

D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 3º Conde de Vila Real (n. 1843/09/23 – f. 1923/12/09 )
D. Teresa Francisca de Melo da Silva Breyner Sousa Tavares e Moura, 3ª Condessa de Vila Real e 2ª Condessa de Melo (n. 1848/04/08 – f. 1926/03/11)

D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 3º Conde de Vila Real casou, a 2 de Março de 1867, com D. Teresa Francisca de Melo da Silva Breyner de Sousa Tavares e Moura, 2ª Condessa de Melo, filha de Luís Francisco Soares de Melo da Silva Breyner de Sousa Tavares e Moura, 1º Conde de Melo e de sua mulher D. Frederica Xavier Botelho.

Foram oitavos e últimos Morgados de Mateus e senhores dos bens da Casa Melo, integrados por casamento. Ficaram, assim, unidos os títulos de Vila Real e de Melo.
Deste casamento nasceram três filhos: Maria dos Prazeres de Sousa Botelho e Melo, Fernando de Sousa Botelho e Melo e Maria Teresa de Sousa Botelho e Melo.

A documentação deste casal que se conserva no Arquivo da Casa de Mateus dá-nos elementos sobre a administração da Casa no seu tempo, constituindo um importante núcleo para o conhecimento e estudo da cidade de Vila Real. No referido acervo documental encontramos documentos que referenciam acontecimentos sociais e culturais da época, realizados tanto em Vila Real como noutros locais , além de plantas de edifícios da cidade de Vila Real e recibos de lojas existentes, essencialmente, na Rua Direita .

Ainda sob a administração de sua mãe, D. Júlia Adelaide Braamcamp de Almeida Castelo Branco, em 1870, o 3º Conde de Vila Real foi responsável pela construção do ramal da Estrada de Abambres até ao Palácio de Mateus, tendo pago pela expropriação de diversos terrenos para que a estrada pudesse ser construída .

A correspondência trocada com a Real Companhia Vinícola e a Liga dos Lavradores do Douro, de que D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos era sócio , evidenciam o papel da Casa de Mateus na região demarcada do Douro .

 

D. Fernando de Sousa Botelho e Melo, 4º Conde de Vila Real, 3º Conde de Melo (n. 1870/01/31 – f. 1928) s.g.
D. Maria Teresa de Sousa Botelho e Melo, 5ª Condessa de Vila Real, 4ª Condessa de Melo (n. 1871/08/03 – f. 1947/09/05) cc
D. Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque, 2º Conde de Mangualde (n. 1874/03/14 – f. 1932/10/31)

D. Francisco de Sousa Botelho de Albuquerque, 6º Conde de Vila Real, 5º Conde Melo, 3º Conde Mangualde (n. 1909/09/16 – f. 1973/01/08) cc
D. Maria Adelaide de Sousa Canavarro de Meneses Fernandes da Costa (n. 1917/07/27 – f. 1989/05/30)

Fundação da Casa de Mateus