19 de Junho de 2022 | 12:30 | Americantiga Ensemble | Dirigido por Ricardo Bernardes

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco
Curitiba - PR, Brasil

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CURITIBA  – CIDADE BARROCA

 

O concerto pretende resgatar a ideia de uma Curitiba que raramente temos em nosso imaginário coletivo, o de uma “Cidade Barroca”, uma vila fundada em 1693 e que, mesmo sendo um pequeno centro urbano, possuía uma atividade musical e religiosa certamente em consonância com aquelas de Paranaguá e São Paulo e, por consequência, com as de Lisboa e Roma.

 

O concerto celebra uma dupla efeméride, os 300 anos de nascimento de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, o 4º Morgado de Mateus, assim como os 200 Anos da Independência do Brasil. D. Luís António foi governador da Capitania de São Paulo entre 1765 e 1774 e foi o responsável pela expansão e manutenção das fronteiras brasileiras dos hoje estados de São Paulo e Paraná. Várias das expedições por ele coordenadas partiram dos Campos de Curitiba e São José dos Pinhais para desbravar os “sertões do Tibagi”. Foi o fundador de cidades como Campinas e Campo Mourão (Campos do Mourão) e pode ser considerado como um patrono das terras que mais tarde, em 1853, se emancipariam como o Estado do Paraná.

 

O repertório do presente concerto procurará contar uma história artística através de uma série de obras de compositores barrocos portugueses e italianos, que durante todo o século XVIII ditavam os estilos musicais praticados no Brasil de então e que são pouco conhecidas do público atual. Apresentaremos excertos do oratório La Giuditta, escrito em Roma em 1726 por Francisco António de Almeida (1703 – 1754), obras instrumentais de Pedro António Avondano (1714 – 1782) e as Folias de Pedro Lopes Nogueira (c. 1686 – 1770), assim como obras de compositores referenciais italianos como Arcangelo Corelli (1653 – 1713), atuante em Roma e de Antonio Vivaldi (1678 – 1741), atuante em Veneza e com a sua obra amplamente difundida por toda a Europa.

 

No entanto, o momento mais interessante do ponto de vista histórico é trazermos em primeira audição moderna um dos andamentos da Missa de Mestre Bernardino, a obra mais antiga encontrada de compositor ativo em solo paranaense. Bernardino José de Sena foi mestre de capela na Sé de Paranaguá e a sua música e atividade musical certamente encontraram ecos na vila logo acima da Serra do Mar. Este pretende ser o lançamento de um projeto maior, em que não somente uma Curitiba Barroca, mas um Estado do Paraná que precisa resgatar a sua história e recriar a sua identidade também anterior ao período de emancipação de São Paulo e da chegada dos imigrantes italianos, alemães e poloneses já em fins do século XIX.

 

O concerto conta com os apoios institucionais da Fundação da Casa de Mateus e da Universidade Federal do Paraná, sendo organizado por uma parceria entre a Cão Lilás Associação Cultural, de Lisboa, e a Capablanca Desenvolvimento e Cultura, de Curitiba. A imagem da capa é um detalhe da “Vista de Curitiba”, aquarela de Jean Baptiste Debret (1768 – 1848),  artista da Missão Artística Francesa que retrata as vilas de Paranaguá, Guaratuba e Curitiba em 1827 durante a viagem que acompanhou a comitiva do Imperador Dom Pedro I ao sul do Brasil, onde percorreu estados como  São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

PROGRAMA

Pedro António Avondano                             Sinfonia para cordas em Fá maior

(1714 – 1782)                                                    (Lisboa, segunda metade do séc. XVIII)

Francisco António de Almeida                    Giusto Dio, ária de Ozie do oratório La        

(1703 – 1754),                                                  Giuditta (Roma, 1726)

Arcangelo Corelli                                           Sonata em Fá maior para violino e

(1653 – 1713)                                                    baixo contínuo (Roma, 1690)

Pedro António Avondano                             Trio sonata I em Ré maior, para dois

                                                                           violinos e baixo contínuo

Francisco António de Almeida                    Pallida scolorita, ária de Achiorre do

                                                                           oratório La Giuditta (Roma, 1726)

Pedro Lopes Nogueira                                   Variações sobre A Folia, para violino e

(c. 1686 – 1770)                                                baixo contínuo

                                                                            (Lisboa, primeira metade do séc. XVIII)

Antonio Vivaldi                                               Sinfonia para cordas em Ré menor

(1678 – 1741)                                                     (Veneza, primeira metade do séc. XVIII)

Bernardino José de Sena                               Laudamus Te, a duo, da Missa a 4

(1743 – 1803?)                                                  vozes, oboés, trompas e cordas em Sol

                                                                            Maior (Paranaguá, entre 1777 e 1803)

 

Márcia Kayser, Soprano

Victor Bento, Contratenor

 

Matheus Prust, Violino Barroco

Moema Mayer, Violino Barroco

Gabriel Scheffel, Viola Barroca

Alzira Schmitt-Hübner, Violoncelo Barroco

Maiko Thomé, Contrabaixo

Felipe Biesek, Teorba

Roger Burmester, Guitarra Barroca

 

Ricardo Bernardes, Orgão e Direção Musical

 

AMERICANTIGA ENSEMBLE

Fundado em 1995 por Ricardo Bernardes, em Curitiba, é um conjunto especializado em música portuguesa, brasileira, hispano-americana e italiana dos séculos XVII a princípios do XIX. Com diferentes formações e enfoques interpretativos, procura a execução historicamente informada com o uso de instrumentos de época. Nos últimos anos, tem realizado concertos em Portugal, EUA, Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. Muitos desses concertos foram organizados por embaixadas e consulados brasileiros, como o Consulado Geral de Portugal em São Paulo, com o objetivo de difundir esta importante e pouco conhecida produção musical. Já conta com seis CDs e um DVD, todos dedicados ao repertório português e brasileiro do século XVIII. Em Portugal, em 2011, realizou o concerto na Basílica da Estrela para celebrar os 15 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O agrupamento conta com várias participações nas Temporadas de Música em São Roque, em Lisboa, além de vários concertos nos Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus, Trotamundos – Viagens Musicais e Literárias, e festivais em Espanha, Itália e Croácia.

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Ricardo Bernardes

É Maestro e diretor musical do “Americantiga Ensemble”, Vivendo em Portugal desde 2010, dirigiu a estreia moderna da ópera “O basculho de chaminé” do compositor português Marcos Portugal (1762 – 1830) com a Orquestra Sinfónica Portuguesa no Teatro de São Carlos. Desde 2016, é o Diretor Artístico do Festival “Caminhos de Mateus” e dos “Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus”, promovidos pela Fundação Casa de Mateus em Vila Real, Portugal. Em 2017, fundou a “Cappella dei Signori”, um agrupamento de cantores masculinos dedicado à música polifônica do século XVI ao início do século XVIII. Em 2018, liderando a recém-criada “Orquestra Barroca de Mateus”, dirigiu o concerto “Setaro, o construtor de utopias” com Vivica Genaux e Borja Quiza, com a direcção cénica de Mario Pontiggia, no Palácio de Mateus e no Teatro Rosalía de Castro em A Corunha, Espanha. Em 2019, para estimular a recuperação de importantes obras dos repertórios sacros portugueses dos séculos XVII e XVIII, fundou o Festival de Música Antiga de Lisboa / Lisbon Early Music Festival, na Igreja das Chagas. Bernardes é doutorado em Musicologia pela Universidade do Texas, em Austin, e doutor em Ciências da Música pela Universidade Nova de Lisboa. Foi editor da coletânea “Música no Brasil – Séculos XVIII e XIX” do Ministério da Cultura do Brasil e da revista “Textos do Brasil” (no número dedicado à “Música Clássica Brasileira”), do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Apoio Institucional da Fundação da Casa de Mateus, Vila Real, Portugal