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ADMINISTRADORES DA CASA

Retrato do Doutor Matias Álvares Mourão de Aguiar, óleo sobre tela, 3º quartel do século XVII. Retrato de D. Maria Coelho, a Velha, óleo sobre tela, 3º quartel do século XVII. D. Maria Coelho, a Velha (f. 1696/07/23) 1
Doutor Matias Álvares Mourão de Aguiar (f. 1675/05/19) 2

D. Maria Coelho e o Doutor Matias Álvares Mourão de Aguiar foram os primeiros administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres em Mateus e também os segundos administradores da Capela de Nossa Senhora da Esperança na Cumieira.

É neste casal que converge uma estratégia de concentração patrimonial, tendo o Morgadio de Mateus sido consolidado através de doações e heranças que se verificam durante a sua administração. D. Maria Coelho tinha recebido o dote de D. Leonor de Sampaio em 1646, para casar com seu primo o Desembargador Matias Álvares Mourão de Aguiar3. Entretanto, este casal tinha também sido contemplado no testamento de 29 de Julho de 1643 pelo irmão de D. Helena Mourão, o Dr. António Álvares Mourão, Provisor, Vigário Geral e Governador do Bispado de Leiria que lhes deixou a Quinta da Torre, foreira ao Bailio de Leça4.

Mais tarde, em 1665, sua mãe, D. Helena Mourão fez testamento, instituindo por herdeiros D. Maria Coelho e o marido, tornando-os assim administradores da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, cabeça do Morgadio de Mateus e do Morgadio da Cumieira5.

A este património acrescentou-se a herança da irmã de D. Maria Coelho, a D. Isabel Coelho, viúva do Dr. Diogo Álvares Mourão, herdeiros da Casa de Lago Bom, Vila Pouca de Aguiar e Bornes, a qual fez testamento quando entrou para o Convento de Celas, onde professou, tendo sido aprovado a 9 de Setembro de 16636.

O Desembargador Matias Álvares Mourão de Aguiar dispôs no seu testamento que o seu corpo fosse sepultado na sua Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, em Mateus, mandou que se vendesse a sua livraria e que o dinheiro fosse para missas perpétuas a dizer na sua Capela que fez em Coimbra no Convento dos Carmelitas descalços e instituiu por herdeira universal sua mulher, D. Maria Coelho, a Velha. À morte desta, os seus bens deveriam ficar em cabeça de morgado para o filho de Domingos Botelho Ribeiro Álvares de Sabrosa, seu primo, devendo este descendente casar com uma filha do Dr. Cristóvão Álvares Coelho, instituidor do Morgado de Arroios7. Faleceu a 19 de Maio de 1675.

D. Maria Coelho cumpriu a vontade de seus antecessores, a qual ficou expressa nos seus dois testamentos, um de 2 de Fevereiro de 1676 e outro de 12 de Julho de 1691, instituindo com seus bens um vínculo de Morgadio anexado à Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, e para que andem juntos com [os bens] que vinculou seu marido como se foram de um só instituidor8.

Fez ainda vínculo dos bens livres e móveis de ouro e prata que deixou em rol assinado, mandando que não se nomeasse bastardo se faltassem descendentes, nem clérigo, nem criminoso de confiscação, entre outras condições. Deixou, bem claro que enquanto os dois vínculos das Casas de Mateus e Cumieira andassem juntos se chamariam dos apelidos de Álvares, Coelho, Mourão, vontade reforçada em seu segundo testamento, ordenando que (…) enquanto estes dois vínculos, a saber o desta Casa de Mateus e o da Casa da Cumieira, andarem juntos em um só possuidor e ele se chamar dos apelidos Alvares Coelho Mourão, e andando separados por falta de descendentes de meus herdeiros se chamará o possuidor do Vinculo desta Casa dos apelidos Alvares Coelho e do da Cumieira Alvares Mourão9.

D. Maria Coelho, já depois da morte do marido, teve ainda o cuidado de que se fizesse tombo das suas propriedades por alvará régio de 30 de Julho de 168510, administrando a Casa de Mateus durante mais 21 anos. Chamou à administração da Casa de Mateus seu primo da Casa de Sabrosa, Domingos Botelho Ribeiro Álvares, descendente dos Botelho Alcaides Mor de Vila Real. Tendo este falecido antes dela, D. Maria Coelho institui por seu universal herdeiro Matias Álvares Mourão, Morgado da Prata, filho de Domingos Botelho Ribeiro Álvares e de D. Joana Mourão, casado com D. Maria Coelho de Barros e Faria, filha do Dr. Cristóvão Álvares Coelho e de D. Brites de Barros e Faria, instituidores da Casa de Arroios11.

 

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